O Parque Nacional Serra da Capivara está localizado no sudeste do Estado do Piauí, ocupando áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias.

A criação do Parque Nacional Serra Capivara teve múltiplas motivações ligadas à preservação de um meio ambiente específico e de um dos mais importantes patrimônios culturais pré-históricos. As características que mais pesaram na decisão da criação do Parque Nacional são de natureza diversa:

- culturais - na unidade acha-se uma densa concentração de sítios arqueológicos, a maioria com pinturas e gravuras rupestres, nos quais se encontram vestígios extremamente antigos da presença do homem (100.000 anos antes do presente). Atualmente estão cadastrados 912 sítios, entre os quais, 657 apresentam pinturas rupestres, sendo os outros sítios ao ar livre (acampamentos ou aldeias) de caçadores-coletores, são aldeias de ceramistas-agricultores, são ocupações em grutas ou abrigos, sítios funerários e, sítios arqueo-paleontológicos;

- ambientais - área semi-árida, fronteiriça entre duas grandes formações geológicas - a bacia sedimentar Maranhão-Piauí e a depressão periférica do rio São Francisco - com paisagens variadas nas serras, vales e planície, com vegetação de caatinga (o Parque Nacional Serra da Capivara é o único Parque Nacional situado no domínio morfoclimático das caatingas), a unidade abriga fauna e flora específicas e pouco estudadas. Trata-se, pois, de uma das últimas áreas do semi-árido possuidoras de importante diversidade biológica;

- turísticas - com paisagens de uma beleza natural surpreendente, com pontos de observação privilegiados. Esta área possui importante potencial para o desenvolvimento de um turismo cultural e ecológico, constituindo uma alternativa de desenvolvimento para a região.

Em 1991 a UNESCO, pelo seu valor cultural, inscreveu o Parque Nacional na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade. Em 2002 foi oficializado o pedido para que o mesmo seja declarado Patrimônio Natural da Humanidade.

O maior atrativo do Parque é a densidade e diversidade de sítios arqueológicos portadores de pinturas e gravuras rupestres pré-históricas. É um verdadeiro Parque Arqueológico com um patrimônio cultural de tal riqueza que determinou sua inclusão na Lista do Patrimônio Mundial pela UNESCO.

Durante milênios as paredes dos sítios foram pintadas e gravadas por grupos humanos com diferentes características culturais que se refletem nas escolhas gráficas que aparecem nos sítios. O visitante pode hoje observar um produto gráfico final que foi realizado gradativamente e que pela sua narratividade evoca fatos da vida cotidiana e cerimonial da vida em épocas pré-históricas.

A esse interesse antropológico se soma uma rara beleza e qualidade artística das obras que apesar de traços similares às pinturas pré-históricas das cavernas da França e da Espanha, abrigos sob rocha da Austrália, apresenta um perfil típico, único na região do Nordeste do Brasil.

A densidade dos sítios arqueológicos e paleontológicos permitiu o desenvolvimento de pesquisas constantes há 3 décadas, fornecendo informações sobre a origem do homem na região, a evolução climática e as transformações da paisagem nos últimos 100.000 anos.

Esses sítios arqueológicos estão localizados num contexto geológico igualmente diversificado, que retraça o processo de formação da região há 240 milhões de anos com o levantamento do fundo do mar. A cuesta que hoje delimita o parque arqueológico, um paredão de arenito de imponentes proporções, configura uma paisagem de grande beleza natural. Sobre a planície do escudo brasileiro existem afloramentos kársticos com cavernas e lagos subterrâneos. Uma paisagem de serra e de planície se estende com ‘inselbergs’ esparsos.

O clima da região é hoje semi-árido. A vegetação é a caatinga, com ilhas de floresta tropical úmida que se conservam em boqueirões estreitos. Entre novembro e maio, estação das chuvas, a vegetação apresenta uma surpreendente exuberância de flores e tonalidades de verde. Em junho as folhas da maior parte das espécies, amarelecem e caem. A paisagem se transforma numa floresta de troncos cinza e de ramas densamente entrelaçadas. É o período da cor homogênea, um manto malva cobre áreas extensas de uma vegetação que espera o retorno das chuvas para repetir o rito da metamorfose e da explosão de vida e cores.

A Fauna está em processo de recuperação, animais de diversas espécies atravessam os caminhos, podendo ser observados pelos visitantes. Atualmente é possível ver onças, macacos, caitetus, veados, jacús, águias chilenas, cotias, preás, serpentes, iguanas, lagartos, periquitos, andorinhas e outras espécies de aves, em profusão.

O céu azul profundo e claro na época seca corresponde a períodos em que as noites são frias, podendo o termômetro descer a 10 graus C. Ao invés, grandes tempestades elétricas, nuvens pesadas, chuvas torrenciais acontecem entre outubro e maio.

Atualmente os sítios preparados para a visitação atingem o número de 128 dos quais, 16 oferecem os serviços de acesso para as pessoas com dificuldade de locomoção.

Veja mais informações no site da Fundação Museu do Homem Americano: http://www.fumdham.org.br/parque.asp