Todos que já visitaram Inhotim esboçam um sorriso à simples menção deste nome. Quem esteve lá sabe o quão mágico é esse lugar, que de tão especial sequer pode ser imaginado antes de vivenciado.
Não estamos falando apenas do maior museu de arte contemporânea a céu aberto da América Latina, tampouco do que se credita como a maior coleção de palmeiras do mundo [em meio a jardins que guardam reminiscências de Burle Marx, cultivando aproximadamente 4.300 espécies distintas de plantas].
Estamos falando de uma paisagem ideal, um éden para o florescimento do fenômeno artístico. Um lugar onde a obra de arte é apresentada em relação ao contexto, que no caso é mais natureza do que museu, ou ainda, da natureza como museu.
A fruição estética das obras contemporâneas é potencializada com esta disposição não apenas em uma espacialidade diversa, mas como sujeita à exuberante temporalidade da vida. Um habitat que nos coloca entre o natural e o artificial, ou melhor, entre o natural e o arte-fato. Situação ambiental onde as obras de arte são atravessadas pelo fluxo da vida, ao mesmo em que a natureza é enquadrada artisticamente.
Sob a orientação da artista e professora Denise Gadelha, a incursão neste universo promete ao viajante o contato com novas perspectivas para a percepção da arte e da natureza. Além dos dois dias de visita orientada ao museu, o roteiro conta com uma palestra sábado à noite, na qual serão trançadas coletivamente algumas linhas de sentido a partir do que foi percebido durante o dia. O processo de construção de conhecimento terá como a base a experiência compartilhada na discussão pautada pela exposição das impressões e intuições dos participantes, confrontadas com a contextualização de valores que historicamente atuam sobre o significado dessas obras. Assim, mesmo para aqueles que já conhecem Inhotim, a experiência proporcionada neste encontro será única.
Histórico
Inhotim - Centro de Arte Contemporânea - foi idealizado pelo empresário Bernardo Paz em meados da década de 1980. Em 1984, o local recebeu a visita do paisagista Roberto Burle Marx, que apresentou algumas sugestões e colaborações para os jardins. Desde então, o projeto paisagístico cresceu e passou por várias modificações.
A propriedade particular ia se transformando com o tempo. Começava a nascer um grande espaço cultural, com a construção das primeiras edificações destinadas a receber obras de arte contemporânea. Ganhava vida também o rico acervo botânico, consolidado a partir de 2005 com o resgate e a introdução de coleções botânicas de diferentes partes do Brasil e com foco nas espécies nativas.
Cronologia:
2002 - foi fundado o Instituto Cultural Inhotim, uma instituição sem fins lucrativos, destinada à conservação, exposição e produção de trabalhos contemporâneos de arte e que também desenvolve ações educativas e sociais.
2005 - o extenso acervo cultural e ambiental abria suas portas timidamente, com pré-agendamento de visitas somente da rede escolar da região de Brumadinho e de grupos específicos.
2006 - com estrutura completa, a obra particular chega ao grande público, com o Instituto passando a receber visitas em dias regulares, sem a necessidade de agendamento prévio.
2008 - nos últimos 12 meses, cerca de 110 mil pessoas já visitaram Inhotim. São visitantes de diversas partes do país e do mundo.
Um pouco mais sobre Inhotim
O Instituto Inhotim é um complexo museológico original, constituído por uma sequência não linear de pavilhões em meio a um parque ambiental. Suas ações incluem, além da arte contemporânea e do meio ambiente, iniciativas nas áreas de pesquisa e de educação. É um lugar de produção de conhecimento, gerado a partir do acervo artístico e botânico.
Galeria Adriana Varejão
Localizado em Brumadinho, a 60 quilômetros da capital mineira, possui um importante acervo de arte contemporânea e uma extensa coleção botânica. Onde o meio ambiente convive em interação com a arte, e são o ponto de partida para o desenvolvimento de ações de caráter socioeducativo nas mais diversas áreas.
O Parque Tropical possui áreas que seguiram conceitos sugeridos pelo paisagista Roberto Burle Marx. A enorme variedade de plantas faz de Inhotim um local onde se encontra uma das maiores coleções botânicas do mundo, com espécies tropicais raras e uma reserva florestal que faz parte do bioma da Mata Atlântica.
O representativo acervo de arte contemporânea com aproximadamente 500 obras de mais de 100 artistas, a coleção de Inhotim vem sendo formada desde meados de 1980, com foco na arte produzida internacionalmente nos anos 1960 até os nossos dias. Pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e instalações de renomados artistas brasileiros e internacionais são exibidos em galerias espalhadas pelo parque.
Pavilhões abrigam exposições permanentes de Tunga e Cildo Meireles. Em março de 2008, foram inauguradas duas novas galerias, uma dedicada a obras da artista Adriana Varejão e a segunda para abrigar o trabalho Neither (2004), da artista colombiana Doris Salcedo. Uma série de projetos especialmente comissionados por Inhotim estão atualmente em andamento e envolvem artistas como Doug Aitken, Matthew Barney, e Pipilotti Rist.
Alguns dos artistas presentes no acervo:
Adriana Varejão // Anri Sala // Chris Burden // Cildo Meireles // Dan Graham // Doug Aitken // George Bures Miller // Helio Oiticica // Janet Cardif // Janine Antoni // Jorge Macchi // Luiz Zerbini // Mathew Barney // Pipilotti Rist // Rivane Neuenschwander // Tunga // Valesca Soares // Vik Muniz.Inhotim conta com uma direção artística que pretende responder às próprias características complexas da instituição. A curadoria está a cargo de Allan Schwartzman, Jochen Volz e Rodrigo Moura. O fato de ser dividida entre profissionais, respectivamente, dos Estados Unidos, da Alemanha e do Brasil, é um reflexo de como a instituição pensa internacionalmente, promovendo livre trânsito entre a arte produzida no Brasil e no exterior. Os curadores são responsáveis, conjuntamente, pelas exposições e pela expansão da coleção, além de darem apoio de conteúdo ao desenvolvimento institucional de Inhotim com projetos de educação e publicações, e outros aspectos da política cultural da instituição.
Bienalmente uma nova mostra é apresentada, com o intuito de divulgar as novas aquisições e criar reinterpretações da coleção, e novos projetos individuais de artistas são inaugurados, fazendo de Inhotim um lugar em constante evolução.
Os jardins de Inhotim, onde estão instaladas de forma perene obras de consagrados artistas da contemporaneidade, são reconhecidos pela sua beleza singular e pela disposição paisagística do seu acervo botânico. Mas os jardins de Inhotim não são somente um local de contemplação estética.
É neste contexto de rara beleza que Inhotim realiza estudos florísticos, catalogação de novas espécies botânicas, conservação ex situ e uso paisagístico de espécies como forma de sensibilização popular pela preservação da biodiversidade. Tais características conferem ao parque o status de Jardim Botânico, cuja missão relaciona-se a divulgar e sensibilizar sobre importância da biodiversidade vegetal para a sobrevivência humana. Acesse também o site de Inhotim - http://www.inhotim.org.br.